Renault Clio R.S. Trophy – Mais um vencedor

Não. Este não é mais um daqueles muito interessantes comparativos de gerações de um modelo a que não conseguimos resistir dar uma vista de olhos quando vamos à papelaria registar o jogo. Também não andámos a testar a rapidez de cada um, nem tão pouco a comparar eficácia dinâmica ou, pior ainda, médias de consumo. Não. Isto é, apenas e só, uma celebração. Uma celebração de um modelo extremamente bem sucedido ao longo da sua carreira de mais de 25 anos, assim como um reconhecimento e homenagem a um nome muito respeitado no mundo dos hot hatches, o Clio. Seja com o 5 GT Turbo ou com o Mégane Trophy, praticamente 30 anos depois, a Renault continua a ser exímia na produção de desportivos compactos e tem feito as delícias de muitos condutores que procuram algo mais que um utilitário ou familiar “despachado”. Como tal, que melhor maneira de celebrar estes automóveis do que fazê-lo em família? Para isso, juntámos o novo Renault Clio Trophy com o seu Pai e Bisavô, os magníficos Clio Williams e Clio RS. O Avô já tinha coisas combinadas e não compareceu à chamada.

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Para quem leu o nosso ensaio ao Clio R.S. Monaco GP, já sabe que gostámos muito daquilo que oferece. Muito rápido mas igualmente preciso, ficámos com a ideia de que, apesar de 200 cavalos serem mais do que suficientes, o Clio RS tem “cabedal” para aguentar a pujança de mais uns quantos. Pois bem, aqui está ele, o resultado dessa evolução, o R.S. Trophy. Com 220 cavalos de potência e 280 Nm de binário (disponíveis em overboost), este Clio é um belo exemplo do que um pequeno utilitário com enorme pulmão é capaz de proporcionar. A caixa EDC de 6 relações está agora mais rápida mas revelou-se, por vezes, um pouco hesitante. Começo a pensar que o problema sou eu. Talvez seja a minha mente a precisar de mais treino para não ficar com a sensação de que “uma abaixo” já lá devia estar, ou ser surpreendido por uma redução inesperada. As caixas manuais nunca hesitam e eu também não hesitaria. Felizmente, a Renault não brinca em serviço e o R.S. 16 foi já anunciado. Caixa manual de 6 relações e o motor de 275 cavalos do irmão Mégane para a mais recente criação Renault Sport. Ainda assim, a EDC contribui imenso para a rapidez do Trophy, bem como para a experiência de semi-competição.

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Digna do mundo da competição é a sua dinâmica. Um eixo dianteiro muito incisivo durante as travagens em apoio, aliado a saudável e ligeira sobreviragem, é sinónimo de divertimento à entrada de curvas a média velocidade. Mas, claro, atenções redobradas durante condução no limite, pois a obrigatória rigidez do chassis poderá causar alguns sustos aos mais desatentos. Ainda assim, um amortecimento rijo mas que nunca me pareceu demasiado desconfortável, nunca transformando o Trophy num saltitão desajeitado para o dia-a-dia. Os bancos desportivos são óptimos e contribuem, também, para o conforto a bordo, bastante aceitável para este tipo de automóvel. A travagem é forte e segura e o travão de mão, bem afinado, um mimo para os ganchos e para umas perpendiculares ao estilo Ragnotti.

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A evolução do Clio “endiabrado” está mais do que confirmada, mas, como disse, o objectivo deste trabalho não era provar o que já foi provado. Era, sim, provar um bocadinho de cada, uni-los, celebrá-los e respeitá-los. Recuso-me a afirmar que as sensações de um são melhores do que as do outro. São apenas diferentes. Obviamente que o Trophy faz disparar os níveis de adrenalina para valores que o Williams nem sonha aproximar-se. Mas a pureza da condução daquele rebelde de fato de treino azul e ténis dourados é especial. Assim como o são as recordações que imediatamente surgem. Os inúmeros comparativos em que marcou presença aquando do seu lançamento ou, posteriormente, em publicações mais recentes que não podem deixar passar uma oportunidade de revisitar a sua muito própria experiência de condução. O Williams é mítico. O Clio RS 2.0 é, também, um pequeno mas enorme desportivo, sendo muito desejado por aficionados dos track days por esse mundo fora. Com um motor que gosta de andar bem lá em cima, a gritar bem perto do redline, brinda-nos com um belo som de admissão que nem o sonoro Trophy consegue bater. Motores atmosféricos ou sobrealimentados, caixas manuais ou semi-automáticas. Interpretações diferentes mas todas com a mesma finalidade. Parabéns ao Clio e um obrigado à Renault. São, todos eles, vencedores.

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Um especial agradecimento ao Paulo Silva pela disponibilização do seu Clio Williams criteriosamente restaurado. O gosto pelos automóveis superou os mais de 300 quilómetros de distância que nos separava, assim como os imprevistos que possam surgir, como por exemplo, uma bateria descarregada. Um grande obrigado, Rodrigo Silva, pela presença do teu Clio R.S.. Não foi um dia fácil para ti, mas não viste nisso um problema. Espero, muito sinceramente, que tenham gostado tanto como eu.

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