Mazda MX-5 – Back to basics

Um automóvel como o Mazda MX-5 merece mais do que meia dúzia de linhas que resumam a experiência da sua condução após cerca de 500 quilómetros, assim como algo mais do que uma simples partilha de números. O seu currículo é extenso, a legião de fãs é enorme e as sensações que transmite são difíceis de explicar com minúcia. São já 27 anos de vida desde o lançamento da primeiro geração em 1989 e agora que tive a oportunidade de o conduzir, finalmente, percebo bastante bem o porquê de tamanha fama. Serão poucos os fabricantes que poderão gabar-se de terem criado um automóvel que, como é óbvio, evoluiu, mas que manteve intacta a sua filosofia base, a sua razão de existir. O prazer de condução, claro.

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Vários foram aqueles que se mostraram desiludidos com algumas das soluções de design apresentadas pela marca de Hiroshima para a geração ND do seu MX-5, principalmente no tamanho das ópticas frontais que para muitos são demasiado pequenas. Eu discordo. Mas deixem que vos diga, ao volante de um automóvel como este, passaria bem os meus dias na companhia deste “defeito”. Os olhos podem ser pequenos mas vêem bastante bem depois do sol desaparecer, até porque nas estradas onde o MX-5 se sente no seu habitat natural, normalmente não há iluminação pública.

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Assim que rodamos a chave, o motor acorda acompanhado de uma ligeira aceleração como que a convidar, logo à partida, para algo mais do que um simples passeio à beira-mar.  Através do pára-brisas saltam à vista as pronunciadas cavas das rodas lá mais à frente e no habitáculo, apesar das dimensões compactas, o nível de conforto é bastante bom, com equipamento mais do que adequado a uma utilização quotidiana. E usá-lo como daily driver não é de todo impossível, para além de ser uma óptima razão para fazer um pequeno desvio, de vez em quando, no regresso a casa após um dia de enorme stress no trabalho. O caminho mais longo é muita vez o mais gratificante. E, agora que temos pela frente a nossa faixa de alcatrão preferida, é praticamente impossível não ficar impressionado pelo desempenho dinâmico do MX-5. A sua leveza confere-lhe uma agilidade enorme e uma forma única de abordar as curvas. A palavra que melhor o define é: puro. Puro, porque não se esforça para ser eficaz no serpentear da estrada ao rodar do volante. A assistência da direcção está muito bem calibrada, conferindo-lhe o peso ideal para condução desportiva e respondendo com prontidão aos inputs que lhe passamos. A caixa de velocidades tem um tacto firme e o caminho para se engrenar as mudanças é curto e decidido. Usá-la é uma delícia, estando bem complementada por um óptimo posicionamento dos pedais. E claro, tudo o que descrevi, com a possibilidade de ser feito a céu aberto.

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Este MX-5 não é um automóvel para ganhar corridas nos semáforos. Deixem o cronómetro em casa porque só vai adicionar peso, algo em que a Mazda muito trabalhou para não acumular em excesso, colocando em prática a chamada estratégia da grama. O MX-5 é muito mais do que isso. É leveza e agilidade. É puro. É, acima de tudo, um conjunto de muitas e boas sensações. É uma oportunidade única de se redescobrir o prazer de se conduzir um automóvel. Contudo, não se pense que o motor 1.5 lt Skyactiv deste MX-5 não é capaz de dar umas lições a muitos outros desportivos que por aí andam. O que quero dizer é que não foi para esse fim que este carro foi projectado. Apesar da relativamente baixa cilindrada, a combinação dos 131 cavalos e 150 Nm de binário do motor com o baixo peso do MX-5 permite-lhe registar boas acelerações, sempre acompanhadas por um belíssimo som de indução que nos vicia de cada vez que fazemos subir o ponteiro entre as passagens da caixa manual.

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No catálogo do MX-5 existe, também, uma versão com motor 2.0 lt. Sim, pesa um pouco mais, mas tem mais potência e binário que lhe dão uma vantagem natural se quisermos quantificar o seu andamento. Para além disso, vem equipado com diferencial autoblocante. Por outro lado, mesmo sem o conduzir e colocando a questão do orçamento de parte, acho que compraria um 1.5 lt num piscar de olhos, pois simboliza na perfeição o espírito deste tão especial automóvel. “Só tem 131 cavalos?” “Sim. Só tem 1050 kg de peso.” Isto resume o típico diálogo com uma pessoa que compraria, num piscar de olhos, o 2.0 lt. Porque tem mais. Mais é melhor. O tamanho conta e tal. Acho que há espaço para ambas as motorizações. Acho que cada um deles é um óptimo aliado para o roadster da Mazda. Apenas penso que o MX-5 é muito mais do que um carro que vive dos “mais” e dos números das tabelas comparativas. Porque, neste caso, menos é mais. Menos peso, mais envolvência dinâmica. Apesar disso, tudo farei para ensaiar um MX-5 equipado com o motor 2.0 lt Skyactiv. Não me censurem, pelo menos para já.

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Perdoem-me a falta de contenção nas palavras, mas se nunca conduziu um MX-5 arranje rapidamente uma forma de eliminar esse ponto da sua to do list. Peça emprestado, alugue, compre. Não sei nem quero saber como o fará, mas, simplesmente, faça-o. Já! Deixe de fumar, abra mais uma empresa de tuk tuk, mostre os bíceps no Instagram ou escreva umas frases inspiradoras na sua rede social favorita, mas meta as mãos num imediatamente. A dinâmica de um automóvel tão focado na condução, com perfeita distribuição de peso, tão em sintonia com quem o conduz, é algo que não pode perder. Uma verdadeira homenagem às gerações que o precederam e aos míticos clássicos ingleses que marcaram uma época tão especial da história do automóvel. Há nele um bocadinho de Lotus Elan e um pedaço de Triumph Spitfire. É um automóvel do presente, mas que herda o que realmente importa daqueles que o antecederam. Aquilo que hoje poucos conseguem oferecer. Prazer de condução.

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Para um automóvel com o histórico do Mazda MX-5, todo e qualquer trabalho desenvolvido parecerá pouco, dado o que o mítico modelo japonês atingiu em quase três décadas de existência, ao longo das suas quatro gerações. Os galardões e recordes são mais do que imaginam e não me parece que a história termine por aqui. A lenda está viva.

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Galeria completa aqui.

Pontos fortes

  • Dinâmica e prazer de condução
  • Motor e caixa de velocidades
  • Facilidade de operação da capota

Pontos fracos

(Este espaço foi propositadamente deixado em branco)

Consumos

  • Média declarada – 6.0 lt/100 km
  • Média final do ensaio – 7.4 lt/100 km

Preço Mazda MX-5 1.5 Skyactiv

  • Base – 25.970 €
  • Viatura ensaiada – Excellence Navi (com Packs Sport e High Safety) – 33.410 €

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