Hyundai i20 1.0 T-GDI – No meio está a virtude

Já abordei esta questão anteriormente, mas é uma verdade tão verdadeira que não me importo de a repetir. Os utilitários são muitas vezes a primeira e única escolha possível para jovens famílias que procuram um automóvel novo capaz de responder a todas as necessidades do dia-a-dia. Com um orçamento, quase sempre, bastante limitado, encontrar a solução para este problema pode ser complicado. Ou não. O Hyundai i20 é, como poderão comprovar um pouco mais abaixo, um automóvel muito completo, que se adequa muito bem a diferentes tipos de estrada e utilizações, e que beneficia da forte reputação de fiabilidade do construtor coreano, que disponibiliza 5 anos de garantia sem limite de quilómetros.

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Neste ensaio, para além das viagens de ida e volta para o emprego, das passagens pelo supermercado e dos passeios à beira-mar durante as manhãs de fim de semana, decidi pôr o i20 à prova em estrada aberta. Se o constante pára-arranca em hora de ponta e o ziguezaguear por entre pilares de parques subterrâneos não constituem qualquer tipo de problema para o i20, decidi atirar-lhe para cima 300 quilómetros de viagem praticamente seguidos, para tentar perceber como ele se porta fora do ambiente urbano, bem como para ver se eu seria bem tratado e como me sentiria no fim, se positivamente impressionado e relaxado ou com a sensação de ter levado uma valente tareia.

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Vila Franca de Xira, Alcácer do Sal e Montemor-o-Novo. Depois de cumpridos todos os checkpoints programados para este ensaio, o i20 provou, sem sombra de dúvidas, que esteve à altura do desafio. Chuva intensa e inúmeros lençóis de água, quilómetros e quilómetros de pavimento em mau estado (é bastante mais barato colocar um sinal de aviso que custa uns 200 ou 300 € do que renovar a estrada, eliminando os intermináveis remendos e sulcos, assim como a impermeabilidade do asfalto e as bermas sem escoamento. Ah, esperem lá, os submarinos…) não foram suficientes para enervar o utilitário coreano, mostrando-se sempre muito competente a providenciar-me conforto, também fruto da sua boa posição de condução. O amortecimento “soft” da suspensão, assim como o perfil dos seus Pirelli tornam o i20 num excelente estradista. Para a Hyundai, conforto acima de tudo. O motor 1.0 lt T-GDI é bastante disponível e silencioso e a caixa de 5 velocidades, com relações que privilegiam os consumos, permitem ao i20 manter-se a óptimas velocidades de cruzeiro mas com rotações de motor baixas. Menos vibrações, menos ruído, menos consumo. Dou-vos dois exemplos: a 90 km/h e em quinta velocidade, o motor gira a 2000 rpm, enquanto que a 120 km/h o ponteiro está marginalmente acima da marca das 2500 rpm. Cheguei ao Castelo de Montemor-o-Novo com o valor de 5,5 lt/100 km no computador de bordo.

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Apesar do compromisso dinâmica/conforto estar claramente a pender para o segundo perfil, o i20 curva com agilidade e trava eficazmente, nunca parecendo demasiado mole ou descomposto a meio de uma viragem mais exigente. Relativamente ao pequeno três cilindros sobrealimentado, mais boas notícias. Para além do baixo consumo, os 100 cavalos chegam mesmo a impressionar se carregarmos bem no pedal da direita, lançando o i20 para boas acelerações. Mas, colocando travões no entusiasmo daqueles que julgam que este i20 é um pequeno desportivo disfarçado de utilitário sensato, ficam já a saber que a direcção é demasiado leve e pouco informativa para esse propósito. Talvez até demasiado, mesmo para um utilitário sem qualquer pretensão a hot hatch e onde, certamente, os pneus também terão a sua influência. O escalonamento da caixa, ideal para registar médias de consumo apropriadas à nossa realidade, não é, claramente, adequado para rápidas passagens de caixa, sendo bem notória a quebra de rotação quando trocamos rapidamente a primeira pela segunda velocidade, causando um “buraco” na entrega da potência e interrompendo a fluidez da aceleração. Algo que um pouco mais de moderação no largar do pedal da embraiagem não resolva, até porque o i20 quer é ser conduzido tranquilamente.

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No habitáculo, o painel de instrumentos é de leitura muito fácil e dispõe de um pequeno display central para mostrar a informação do computador de bordo. Bluetooth, entrada AUX e USB, comandos no volante, ar condicionado, cruise control e aviso de saída involuntária da faixa de rodagem fazem parte da lista de equipamento, razão pela qual estranho a ausência dos sensores de luz e chuva. A qualidade dos materiais utilizados está na média do segmento, ainda que tenha ficado surpreendido com a parte superior do tablier, cujo plástico é bem mais agradável ao toque. Relativamente a espaço, e não dispondo de um quinto passageiro para melhor confirmar está análise, posso adiantar que o i20 é um automóvel espaçoso para quatro pessoas e que o quinto, mesmo que possa não dispor de largura confortável para os ombros, não é massacrado pelo habitual túnel central. Já na bagageira, o fundo amovível permite criar um alçapão para esconder objectos mais delicados, ao mesmo tempo que cria um plano de carga mais elevado, reduzindo o típico degrau e disponibilizando uma plataforma completamente horizontal quando estão rebatidos os bancos traseiros.

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Apesar do temporal, cheguei bem a casa. E apesar das bonitas mas péssimas estradas que encontrei, não cheguei massacrado. O Hyundai i20 poderá não ser, para alguns, o segmento B de design mais inspirado, mas que reúne inegáveis qualidades, disso não duvidem. Pessoalmente, gosto bastante do aspecto do i20 (longe vão os dias da primeira geração Accent, felizmente!), mas gostei ainda mais do i20 pelo “conjunto”, pelo seu todo. É um automóvel que, a meu ver, não pretende destacar-se apenas num campo. O design da carroçaria e o motor, o espaço e o conforto a bordo, a tecnologia disponível e a segurança. Nada parece destacar-se relativamente às demais áreas. A prioridade da Hyundai foi fazer um utilitário completo. Que fizesse tudo e o fizesse bem e na minha opinião, a Hyundai fez isso e fê-lo muito bem.

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O Hyundai i20 1.0 T-GDI é um dos candidatos na classe Citadino do Ano no âmbito da 34º edição do Essilor Carro do Ano/Troféu Volante de Cristal 2017, tendo já conquistado outros prémios, nomeadamente:

  • Golden Steering Wheel 2015 pela revista Auto Bild
  • Melhor utilitário 2015 pela revista Turbo
  • iF Design Award 2015

Galeria completa aqui.

Pontos fortes
  • Desempenho e consumo do motor T-GDI
  • Conforto e espaço a bordo
  • 5 anos de garantia sem limite de quilómetros
Pontos fracos
  • “Buraco” entre 1ª e 2ª velocidades demasiado notório
  • Start/stop hesitante
  • Direcção pouco informativa
Consumo
  • Média declarada – 4,5 lt/100 km
  • Média final do ensaio – 6,0 lt/100 km
Preço – Hyundai i20
  • Preço base – 12.409 €
  • Versão ensaiada – 1.0 TDGi Comfort + Pack Look e cor exterior Star Dust– 17.580 €

Conheça-o melhor aqui.

Campanha Hyundai i20

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