MAZDA CX-3 AWD – O CX-3 AVENTUREIRO

Já se passaram mais de 6 meses, mas lembro-me bem da ideia geral com que fiquei do Mazda CX-3 depois de o ter ensaiado. “É, simplesmente, um automóvel bem nascido.” Esta foi uma das frases que usei no artigo do primeiro ensaio ao crossover da Mazda e assim que voltei a entrar no seu habitáculo, quando me desloquei à Mazda para levantar o exemplar aqui em ensaio, a sensação repetiu-se imediatamente. A qualidade dos materiais empregues e a sua correcta montagem, a robustez do bater de porta, assim como a clareza e a simplicidade do painel de instrumentos e comandos, não conseguem esconder o cuidado e o tempo gastos no seu desenvolvimento.

       

A grande diferença entre este CX-3 e o “Vermelho Soul” que ensaiámos em Agosto passado não está à vista, pois este “Cinza Meteor” traz consigo mais 2 equipamentos que poderão fazer a diferença na hora da decisão: a caixa de velocidades automática e a tracção integral. As vendas desta versão 4WD poderão até ser residuais. Em primeiro lugar, porque a caixa de velocidades manual do CX-3 é um verdadeiro prazer de utilizar, depois, porque a capacidade de tracção da versão de duas rodas motrizes é mais do que suficiente para a utilização habitual deste tipo de viaturas. Ainda assim, o nível de conforto proporcionado pela caixa automática SKYACTIV-Drive é, sem dúvida, uma mais-valia para aqueles que procuram uma condução mais relaxada. O seu funcionamento é suave e as passagens são feitas com rapidez, mais até nas reduções – sendo bastante disponível quando carregamos com vigor no acelerador para dar início a uma ultrapassagem – do que quando é engrenada “uma acima”. Para além de ser possível actuar a caixa de velocidades no manípulo, existem, também, patilhas no volante para utilizar naqueles dias em que o controlo tem que ser nosso e não da máquina, permitindo assim explorar com outro empenho a competência dinâmica do Mazda CX-3. E que dinâmica, deixem-me que vos diga. O trabalho efectuado pela Mazda neste campo é, no mínimo, surpreendente. Tal como verificámos no nosso primeiro contacto, o “pisar” do CX-3 convida à condução. A subtileza do amortecimento não tem, dentro do segmento, rival à altura e a direcção comunicativa é uma óptima aliada para melhor explorar o excelente chassis do Mazda.

A oferta de uma versão equipada com tracção integral poderá não fazer sentido para muitos de vós. Os CX-3 AWD vendidos não vão, quase de certeza, ser postos a andar em trilhos e a tentar escalar montes (não o façam, não vai correr bem), mas a presença da tracção 4×4, para além do divertimento adicional bem patente em algumas das fotografias que tirámos, poderá fazer todo o sentido em caminhos de terra batida, em zonas onde a humidade no asfalto é quase uma constante ou ainda se tiverem a sorte de ter uma casa de férias na Serra da Estrela. O sistema de tracção integral i-ACTIV permite ao Mazda CX-3 enfrentar condições mais adversas proporcionando-lhe uma óptima capacidade de tracção, quer em arranque, quer em curva. Analisando cerca de 200 vezes por segundo os sinais e as informações provenientes de inúmeros sensores, o i-ACTIV consegue detectar perdas de aderência e responder rapidamente colocando o eixo traseiro em acção, reduzindo a patinagem das rodas e impelindo o CX-3 para a frente. Colocámos esta capacidade à prova forçando o crossover da Mazda a arrancar a fundo em terreno arenoso e comprovámos a sua eficácia, sendo facilmente visível na fotografia a passagem da potência para o eixo traseiro quando as rodas da frente não tinham a tracção que se exigia.

Até que ponto compensará gastar os mais de 5.000 € que separam este CX-3 de uma versão equivalente mas apenas com tracção frontal e caixa manual? Justificar-se-á o investimento para ter esta liberdade e conforto adicionais? Tenho a certeza de que quando vão surfar naquela praia escondida e de acesso complicado ou quando tentam chegar àquele trilho de BTT mais remoto, já desejaram ter um automóvel igualmente compacto e confortável, com idêntico consumo de combustível, mas com outras capacidades, mais aventureiras, por assim dizer. Se sim, então gastem lá os 5.000 € a mais, porque o Mazda CX-3 é, sem dúvida alguma, um óptimo automóvel que deixará qualquer proprietário extremamente satisfeito.

Galeria completa aqui.

Pontos fortes
  • Qualidade geral
  • Tracção e estabilidade
  • Liberdade extra
Pontos fracos
  • Resposta do acelerador
  • Start/Stop irregular
  • Consumo
Consumos
  • Declarado – 5,2 lt/100 km
  • Ensaio – 6,5 lt/100 km
Preço

Versão ensaiada – 34.611 €

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