Renault Twingo GT – Laranja mecânica

A minha primeira volta enquanto “piloto” ao Autódromo do Estoril, sem contar com as voltas na minha BMX, foi ao volante de um Renault Twingo RS. Lembro-me bem desse dia. Pouco dormi na noite anterior e sei que fui o primeiro a chegar e a fazer o check in no evento da Renault porque o autocolante com o número “1” ainda sobrevive colado no pára-brisas do meu carro. As quase duas voltas que dei ao circuito terminaram demasiado rápido, mas, apesar da curta experiência ao volante do Twingo RS, esta foi completamente dominada pelas emoções típicas de um fanático por automóveis que tinha acabado de ter a sua estreia num circuito, e logo ao volante de um automóvel assinado pela Renault Sport.

Apesar das emoções um pouco descontroladas, guiadas pela adrenalina que senti naqueles escassos minutos em pista, consegui aperceber-me das excelentes capacidades daquele pequeno carro, dono de uma dinâmica muito eficaz e movido por um motor cheio de raça, um 1,6 lt de cilindrada, “à moda antiga”, com um gosto especial por ser espremido até ao final do conta-rotações. Não consigo não associar o nome Twingo a esta minha memória, mas não é por isso que devo avaliar o novo Twingo GT comparando-o com o mais técnico e focado RS Gordini, do qual guardo tão boas recordações.

Para a terceira geração do seu segmento A, a Renault reformulou profundamente a base do seu citadino. Esta nova interpretação do Twingo, que já tinha sido ensaiado por nós no passado, partilha o chassis com a nova geração do Smart Forfour e destaca-se pela invulgar colocação do conjunto propulsor. O pequeno motor com 0,9 lt de capacidade e 3 cilindros está colocado na traseira do Twingo e aqui, na versão GT, desenvolve uns muitos espevitados 110 cavalos capazes de nos deixar “colados” ao banco, principalmente nas primeiras relações da caixa de 5 velocidades. O ronronar proveniente do escape a baixa rotação sobe de tom quando se exige mais do motor do Twingo e a wastegate deixa-se ouvir, por vezes, lembrando-nos de que estamos na presença de um motor sobrealimentado.

No que diz respeiro à dinâmica, e tal como referi acima, é importante não abordar o Twingo GT como uma versão RS, puramente focada na condução e com um comportamento verdadeiramente desportivo. Embora esteja bem patente o trabalho desenvolvido pela Renault Sport, a configuração de motor atrás e tracção traseira associada a uma carroçaria leve e a uma pequena distância entre eixos limita a liberdade de movimentos e implica que as ajudas electrónicas estejam presentes para evitar situações descontroladas. O eixo dianteiro é certinho à entrada das curvas, desde que não sejamos bruscos na aceleração ou na velocidade de aproximação, convidando a subviragem a aparecer e o ESP a intervir rapidamente. A baixa velocidade, qualquer perda de tracção provocada por uma aceleração repentina é, também, eliminada pela electrónica, assim como em velocidade elevada, onde a deslocação de massas tem uma palavra a dizer ao desequilibrar um automóvel com tão peculiar distribuição de peso.

Quem sabe, no futuro, surja um Twingo mais picante e sobrevirador, capaz de fazer as delícias dos apaixonados pelo drift . A condução do Twingo GT é extremamente divertida, pois é dono de uma agilidade ímpar e de uma capacidade de manobra sem igual, sendo o rei das inversões de marcha e da circulação citadina graças, em parte, ao absurdamente pequeno raio de viragem. Apesar das jantes de grandes dimensões, dos pneus de pequeno perfil e do chassis afinado pela divisão desportiva da marca francesa, o pequeno Twingo GT revelou-se razoavelmente confortável, também graças aos óptimos bancos dianteiros.

Visualmente, são vários os elementos a merecerem destaque. Aliás, no caso particular do Twingo GT, um verdadeiro citadino desportivo, a imagem vale quase tanto aos olhos do comprador como o motor e a dinâmica. Desde logo, pelo impacto causado pela carroçaria pintada em Laranja Pimenta que contrasta com as faixas laterais a preto e com as super originais jantes específicas de 17 polegadas. Atrás, a entrada de ar lateral e a dupla saída de escape completam o aspecto desportivo do GT.

Como já referi noutros artigos, fazem falta automóveis assim. Mais do que os números da potência e das acelerações, o segredo do Renault Twingo GT está na sua originalidade e exclusividade. À sua passagem ninguém fica indiferente e utilizá-lo no dia-a-dia, apesar da afinação desportiva da suspensão e da pujança do pequeno motor TCe, é perfeitamente possível. Mantém as excelentes aptidões citadinas do Twingo “não GT”, mas se o picarmos, ele pica de volta. Porque conduzir, mesmo nos trajectos diários obrigatórios, também pode ser divertido.

Pontos fracos
  • Influência dos ventos laterais
  • Posição de condução
  • Ausência de conta-rotações
Pontos fortes
  • Imagem
  • Fun factor
  • Motor
Consumo
  • Declarado – 5,2 lt/100 km
  • Ensaio – 6,8 lt/100 km
Preço
  • Twingo GT com pintura Laranja Pimenta – desde 15.990 €

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