Honda Civic 1,0 lt Turbo – Feito para durar

É inevitável começar esta análise pela avaliação mais subjectiva de todas, o design. Não tenho memória de um outro automóvel não desportivo ensaiado que tenha provocado tanto virar de cabeças ao passar na rua. Recordo-me perfeitamente de alguns momentos logo no primeiro dia de ensaio. Para variar dos percursos habituais, decidi sair de Lisboa sempre junto ao rio, tomando a direcção da renovada Ribeira das Naus. Um calor dos diabos e um trânsito insuportável foi o que encontrei. Mas à velocidade média de 1 km/h foi-me bastante fácil ver as reacções das pessoas que trocaram – ainda que por breves momentos – o azul do Tejo pelo do novo Honda Civic. “É o novo Civic!” e “Olha aquele Honda!” foram alguns dos comentários que consegui ler à distância. E verdade seja dita, embora com algum conservadorismo à mistura, principalmente na traseira, é difícil não reparar no novo familiar da Honda, principalmente pelo impacto causado pela secção frontal. Os grandes faróis dianteiros e as extensas inserções em negro conferem-lhe um aspecto decidido e com grande presença em estrada.

Honda Civic 1,0 lt i-VTEC Turbo       Honda Civic 1,0 lt i-VTEC Turbo

A geração precedente do Civic foi o primeiro Honda que tivémos o prazer de ensaiar e, embora partilhassem a cor da carroçaria, as partilhas ficam por aí. Para a décima geração do Civic, a Honda preparou uma nova plataforma com configuração Multi-Link no eixo traseiro e novas motorizações a gasolina sobrealimentadas. A chegada dos motores Diesel, assim como a do novo desportivo Type R, está prevista no calendário, mas para já o Civic está disponível com um motor de 3 cilindros, 1,0 lt, com 129 cavalos, bem como com um 1,5 lt, de 4 cilindros, com 182 cavalos. Para este primeiro contacto com o Civic optámos pelo motor que deverá representar o maior número de vendas, pelo menos até à chegada dos Diesel. O pequeno “mil”, com injecção directa de gasolina, desenvolve uns enérgicos 129 cavalos e impressiona pela performance que consegue proporcionar a um automóvel que está longe de ser pequeno. A falta de fôlego do motor começa apenas a surgir nos regimes mais elevados e o consumo, que se mostrou muito sensível à exigência que temos com o acelerador, começa a afastar-se dos valores simpáticos se nos decidirmos por andamentos mais vivos, algo que fiz durante grande parte do ensaio porque o Civic convida a isso mesmo. O botão Econ é uma boa ajuda para reduzir os valores de consumo de combustível registados, valor que se fixou em cerca de 7 litros por cada 100 quilómetros percorridos, quase sempre com o indispensável ar condicionado em funcionamento. Globalmente, o desempenho do novo 1,0 lt i-VTEC Turbo merece uma nota muito positiva.

Honda Civic 1,0 lt i-VTEC Turbo

Honda Civic 1,0 lt i-VTEC Turbo

Ao volante continuam as sensações de um automóvel bem construído e com dinâmica melhorada relativamente à geração que substitui. A nova plataforma, mais leve e rígida, permite que o novo Civic disponha do espaço indicado para um automóvel de características familiares, ao mesmo tempo que também lhe confere um bom desempenho dinâmico, indicado para quem também gosta de conduzir e de fazer-se às curvas. Nesse sentido, dispõe de um botão na consola que altera as características do amortecimento da suspensão, sendo mais notória a sua influência ao nível do conforto do que, propriamente, na melhoria das suas capacidades dinâmicas. Nota-se a diferença, sem dúvida, mas a dureza do amortecimento poderá, por momentos, ser demasiada para um veículo familiar. Teria sido mais sensata a decisão de substituir ambos os perfis disponíveis ao toque de um botão por uma afinação de suspensão intermédia, a pender para o modo não desportivo. Este pareceu-me sempre uma melhor opção, visto ser capaz de oferecer um óptimo nível de conforto e de absorção de irregularidades mas, também, por ser eficaz a controlar os movimentos excessivos da carroçaria nos momentos mais exigentes para o chassis. A direcção, embora directa, melhorava com um pouco de peso adicional que contribuiria positivamente para a experiência de condução. Relativamente ao feeling da caixa de 6 velocidades, nada a apontar a não ser a qualidade do seu funcionamento. Muito bem, Honda.

Honda Civic 1,0 lt i-VTEC Turbo

Honda Civic 1,0 lt i-VTEC Turbo

A posição de condução mais baixa é muitíssimo boa e encaixa-nos perfeitamente no habitáculo redesenhado do Civic, onde a ergonomia foi também um aspecto em que a Honda muito trabalhou. O tablier conta agora com uma apresentação mais convencional e a informação está disponível de uma forma muito menos dispersa. O painel de instrumentos digital é, sem dúvida, um dos elementos de destaque da vasta lista de equipamento, assim como o pack de segurança Honda Sensing, que inclui itens como o cruise control inteligente, o ajuste automático da direcção em caso de saída da faixa de rodagem e o sistema automático de travagem atenuante de colisões. A bordo do novo Civic, o espaço só faltará a ocupantes do banco traseiro com mais de 1,80 m de altura, uma vez que o desenho da carroçaria limita o espaço livre em altura. A capacidade da mala, com 478 litros úteis, não comprometerá a praticalidade do novo familiar japonês, mas lamentamos que a Honda tenha desistido do óptimo sistema de bancos mágicos do Civic anterior.

Honda Civic 1,0 lt i-VTEC Turbo

Honda Civic 1,0 lt i-VTEC Turbo

Embora esta geração tenha perdido a magia dos seus bancos, a Honda desenvolveu novos truques para colocar o seu Civic entre as referências de um dos segmentos mais importantes do mercado europeu e que mais vendas representa para as marcas. Em Portugal, pelo menos até à chegada dos motores Diesel, o novo Civic deverá ter um desempenho comercial discreto, fruto da menor procura por motores a gasolina. Mas apesar dos números ainda bastante reveladores da realidade do nosso mercado, com maior interesse nas versões com motores a gasóleo, começam a surgir alguns sinais de que o cenário começa a ser um pouco diferente, com os motores Diesel a começarem a perder algum terreno para os modernos propulsores a gasolina, como o 1,0 lt i-VTEC Turbo que ensaiámos. Uma maravilha do downsizing que muitos não defendem mas a que não podemos ficar indiferentes. São 129 cavalos de potência e 200 Nm de binário provenientes de um pequeno motor com 988 centímetros cúbicos de cilindrada, números mais do que adequados ao novo Civic, que regista na balança um peso superior a 1300 kg. Para além do excelente conjunto de motor e transmissão, não podemos deixar de destacar a qualidade de construção e a óptima habitabilidade do novo familiar japonês. A décima geração do Honda Civic é um brilhante exemplo de como evoluíram os nossos automóveis. Não só se pensarmos a curto prazo, relativamente à geração que substitui, mas também em relação ao primeiro Civic, que viu a luz do dia no ano de 1972. Como cresceram as carroçarias e como evoluíram os motores! Que mudança! Mas apesar de todas as diferenças e de toda a tecnologia que equipa o modelo de 2017, o Civic continua a transmitir a mesma sensação de sempre. A de que há uma grande probabilidade de que este exemplar que ensaiámos funcione na perfeição – desde que devidamente estimado! – quando, daqui por muitos anos, estivermos para conhecer a vigésima geração do Civic e os quisermos comparar.

Honda Civic 1,0 lt i-VTEC Turbo

Galeria aqui.

Pontos fortes

  • Dinâmica
  • Desempenho do motor 1,0 lt i-VTEC Turbo
  • Qualidade de construção

Pontos fracos

  • Botão Suspensão desnecessário
  • Ausência dos bancos mágicos da geração anterior
  • Espaço em altura para os passageiros de trás

Consumos

  • Declarado – 5,1 lt/100 km
  • Ensaio – 7,1 lt/100 km

Preço – Honda Civic 1,0 lt i-VTEC Turbo

  • Base – 23.300 €
  • Versão ensaiada – Executive Premium – 29.730 €

Até 30 de Setembro – Campanha de valorização adicional de 1.500 € da retoma na compra do novo Civic.

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