Mazda MX-5 2,0 lt – Soft-Top vs. RF – A nice pair

Não é a primeira vez que uso os Pink Floyd nesta aventura da Garagem Global, mas o título da complilação por eles lançada em Janeiro de 1974, e que junta os álbuns “The Piper At The Gates Of Dawn” e “A Saucerful Of Secrets”, é a analogia perfeita para este artigo. Duas obras primas diferentes, mas desenvolvidas com a mesma mestria, os fabulosos Mazda MX-5 Soft-Top e Retractable Fastback.

O roadster MX-5 da Mazda regressou à Garagem Global
Mazda MX-5 2,0 lt Skyactiv-G Soft-Top

O prometido é devido. Despedi-me no artigo do primeiro ensaio ao Mazda MX-5 dizendo que faria o sacrifício de voltar a tentar ensaiá-lo mas com o motor 2,0 lt Skyactiv. Uma promessa muito fácil de fazer, mas sem qualquer certeza de quando surgiria a oportunidade. Esses dias, infelizmente, já lá vão, mas para compensar a saudade que o primeiro “2 litros” deixou, poucas semanas depois o MX-5 estava de volta e dessa vez na carroçaria RF, equipado, também, com caixa de velocidades automática.


Recorde aqui a passagem do Mazda MX-5 RF 1,5 lt pela Garagem Global e aqui a da versão Soft-Top com o mesmo motor.

Nos parágrafos que se seguem, tentarei descrever um amigável confronto entre dois Mazda MX-5, iguais na filosofia mas diferentes na abordagem. Iguais porque, apesar das diferenças, a sua espinha dorsal manteve-se intacta. A liberdade do céu aberto, a leveza e a eficácia da sua dinâmica, bem como as sensações que transmitem, são comuns a ambos os exemplares ensaiados. No entanto, com o lançamento do MX-5 RF, a Mazda conseguiu, de uma só vez, criar uma solução para quem a capota de lona representava um obstáculo e um problema para quem, como eu, não se consegue decidir sobre o seu favorito.

O roadster MX-5 da Mazda regressou à Garagem Global
Mazda MX-5 2,0 lt Skyactiv-G Retractable Fastback

Skyactiv-G: 1,5 lt vs. 2,0 lt

Como seria de esperar, o motor 2,0 lt coloca o MX-5 num patamar de performance acima daquele que o 1,5 lt permite. A maior disponibilidade a baixa rotação é notória, fruto da superior cilindrada – 200 Nm às 4600 rpm contra 150 Nm às 4800 rpm – e assim que o conta-rotações inicia a sua viagem até ao redline, ainda que mais curta do que no motor 1,5 lt, os 29 cavalos extra mostram-se de imediato, impelindo o MX-5 com óptimas acelerações até uma velocidade máxima, também ela, superior. Relativamente ao motor Skyactiv de menor cilindrada, aqui tudo é mais imediato e até o “cantar” do 4 cilindros parece soar sempre mais potente.

O roadster MX-5 da Mazda regressou à Garagem Global
Mazda MX-5 2,0 lt Skyactiv-G Soft-Top

Essencial para a superioridade dinâmica do MX-5 2,0 lt é a presença de um diferencial autoblocante. A capacidade de tracção sai, claramente, beneficiada, assim como a facilidade com que, caso pretendamos, se coloca o roadster japonês a escorregar de traseira. O pack Sport – que fazia parte da lista de equipamento do Soft-Top ensaiado – inclui, entre outros, os amortecedores Bilstein que tão importante contributo dão para o seu comportamento exemplar. Apesar da dureza superior do amortecimento, as irregularidades do piso não perturbam o desempenho em curva e o conforto do MX-5 não sai prejudicado em demasia.

O roadster MX-5 da Mazda regressou à Garagem Global
Mazda MX-5 2,0 lt Skyactiv-G Retractable Fastback

Soft-Top vs. RF

Relativamente às diferenças entre ambas as carroçarias, são três os pontos merecedores de atenção: o design, a segurança e o conforto. No primeiro, a Mazda viu-se obrigada não só a superar as dificuldades de minimizar o peso e o espaço excedentes que todo o mecanismo de recolha do tejadilho representa, mas também a manter inalterados os principais traços do distinto design da geração ND do MX-5 Soft-Top. Um duplo desafio com o objectivo de levar a experiência de condução MX-5 a um público mais alargado e que, para nós, apesar de se ter perdido o aspecto clássico da capota de lona, foi superado. No que diz respeito à segurança, nem sempre é boa ideia deixar o nosso adorado roadster a dormir fora de uma garagem, com a sua capota de lona à mercê dos exageradamente curiosos pelas coisas que deixamos no seu interior. O RF, através do seu tejadilho rígido, vê essa desagradável possibilidade ser reduzida. Por último, o conforto. De fora fica a simplicidade, da qual sou fã, com que se abre a capota de lona, mas no seu lugar surge o accionamento eléctrico do tejadilho, bem como a maior capacidade em separar o interior do MX-5 do ruído exterior e o melhor isolamento térmico.

O roadster MX-5 da Mazda regressou à Garagem Global
Mazda MX-5 2,0 lt Skyactiv-G Retractable Fastback

Mazda MX-5 e caixa automática. Sim ou não?

Uma questão difícil. Eu digo não. E digo sim. Digo não, não pelos defeitos típicos das caixas automáticas, nomeadamente a sensação de hesitação que esta também me transmitiu, mas porque nos retira uma parte muito especial da experiência MX-5, a de seleccionarmos “à antiga” a mudança que pretendemos em cada momento, recorrendo para isso a uma das melhores caixas manuais de velocidades do mercado. Mas digo sim porque é, sem dúvida, uma mais-valia para uma condução mais relaxada nos momentos em que procuramos conforto e serenidade a bordo do Mazda. No entanto, ao dispor de um modo Sport e de patilhas no volante para actuação sequencial, a liberdade de escolha e a condução desportiva estão asseguradas para quando sentir falta da emoção do MX-5. Tendo como principal objectivo o prazer de condução e como principal inspiração a interacção entre o homem e a sua máquina, no universo MX-5 uma boa caixa automática teria sempre uma vida difícil quando colocada em confronto com uma pouco brilhante caixa manual. Mas considerando a opção manual de tacto sublime que equipa o MX-5, não consigo imaginar um cenário em que uma automática, por muito boa que seja, se imponha perante tão especial transmissão old school.

O roadster MX-5 da Mazda regressou à Garagem Global
Mazda MX-5 2,0 lt Skyactiv-G Soft-Top

O MX-5 com motor 2,0 lt, em simples e bom português, anda mais. Está mais bem equipado, a nível de motor e de chassis, para ser mais eficaz. A suspensão controla melhor os movimentos da carroçaria e a presença do diferencial autoblocante faz-se notar. As acelerações são melhores, a velocidade máxima é mais elevada e os consumos não diferem assim tanto dos do motor de 131 cavalos. Mas, na verdade, por ser tão mais fácil andar depressa, pela rapidez com que os 160 cavalos acordam sem ser necessário recorrer com tanta frequência à caixa ou sem ser preciso esgotar o pequeno 1,5 lt bem para lá das 7000 rotações por minuto, devo dizer que senti saudades do primeiro MX-5 que conduzi. Do seu constante convite a extrair tudo o que o motor tem para dar, sempre acompanhado do viciante som da admissão e do seu saudável adornar de carroçaria que comunica na perfeição as suas reacções quase tão imediatas quanto as do 2,0 lt, mas mais naturais, mais “MX-5”.

O roadster MX-5 da Mazda regressou à Garagem Global
Mazda MX-5 2,0 lt Skyactiv-G Retractable Fastback

Seja num futuro ensaio ou, melhor ainda, numa hipotética aquisição, não vejo a hora de voltar a conduzir este muito especial automóvel. Em todas as cores e carroçarias, em ambas as motorizações e opções de transmissão, o MX-5 tudo faz para que cada momento ao volante se transforme numa recordação, numa história, numa experiência memorável. Caso o possa fazer e queira mesmo optar pelo motor de 160 cavalos, não hesite. É uma verdadeira máquina. Se a caixa automática for um opcional (só no MX-5 RF) de que não quer prescindir, óptimo. Ficará, também, muito bem servido. Mas escolher entre a carroçaria RF ou a Soft-Top, aí continuo dividido. Um pouco como escolher entre os álbuns “The Piper At The Gates Of Dawn” e “A Saucerful Of Secrets”. Escolho os dois. Mas escolho o motor 1,5 lt Skyactiv-G para o meu MX-5 de eleição.

O roadster MX-5 da Mazda regressou à Garagem Global
Mazda MX-5 2,0 lt Skyactiv-G Soft-Top

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