Por que devemos estar mais atentos à Mazda

Li recentemente um artigo muito interessante sobre a Mazda no qual esta era comparada com a Alfa Romeo e com as emoções normalmente associadas aos seus automóveis. Neste breve texto o autor afirma que a Mazda assume-se, no presente, como um construtor de inspiração equivalente à da marca italiana no que à emoção do design e ao prazer de condução diz respeito. Parece-me, sem entrar em polémicas, uma justa e respeitosa comparação, pelo que, logo nos primeiros parágrafos, identifiquei-me com as palavras do autor.

Por que devemos estar mais atentos à Mazda

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Certamente lembrar-se-ão da célebre frase do Jeremy Clarkson: “You can´t be a true petrolhead until you’ve owned an Alfa“. Apesar de, infelizmente, não conhecer de perto a recente oferta da marca italiana, sou um assumido fã das suas criações, da sua história e das suas conquistas, do som dos seus míticos motores e das linhas intemporais dos seus modelos. Assim sendo, consigo perceber a afirmação do Jezza, dando-lhe a devida margem para a brincadeira e para o exagero que logo lhe associamos, obviamente. Mas a verdade é que depois de ter conduzido todos os modelos comercializados pela Mazda em Portugal, com praticamente todos os motores e opções de transmissão disponíveis, e de concordar em grande parte com a afirmação do JC, não poderia estar mais de acordo com o que li no artigo que referi no início do meu. O pragmatismo nipónico foi invadido pela paixão automóvel italiana, pela emoção da ligação entre o homem e a sua máquina, o célebre Jinba-Ittai tanta vez referido pela Mazda nas suas comunicações mas que é mais do que uma simples estratégia de marketing. Está lá. Sente-se.

Por que devemos estar mais atentos à Mazda

Do pequeno e ágil Mazda 2, passando ao mais familiar e confortável 3 e terminando no executivo e inabalável 6, todos eles, à sua maneira, revelaram um desempenho em estrada exemplar e que nos convida a explorar todas as suas capacidades dinâmicas. E as óptimas impressões continuam nos crossovers CX-3 e CX-5. Desde a resposta muito positiva da direcção, passando pelas caixas de velocidades de manuseamento decidido e directo, até ao comportamento competente e entusiasmante, estes são alguns dos exemplos das sensações transmitidas ao conduzir os mais recentes modelos do construtor japonês. Diferentes motores e carroçarias para vários segmentos, mas todos eles desenvolvidos sob um plano comum, com as mesmas ideias e a mesma forma de fazer as coisas, com a emoção a desempenhar um papel de grande relevância na construção dos seus automóveis, mantendo intactas as reputações de fiabilidade e robustez.

Por que devemos estar mais atentos à Mazda

Por que devemos estar mais atentos à Mazda

Muitos fabricantes são acusados de manterem uma filosofia de design tão exageradamente comum entre os seus vários modelos que mal os conseguimos distinguir ao vê-los lado a lado. A Mazda não é excepção, identificando-se ao longo da sua gama uma linha de inspiração comum, a expressão de design da Mazda, Kodo – A Alma do Movimento, mas que, neste caso, não foi levada ao exagero, possibilitando que cada modelo tenha o seu espaço e seja facilmente identificável. As distinções da sua linguagem de design acumulam-se, tendo sido recentemente atribuído ao Mazda Vision Coupé o prémio “Most Beautiful Concept Car of the Year” no âmbito da 33ª edição do Festival Automobile International.

Por que devemos estar mais atentos à Mazda
Fotografia oficial – Mazda

E no que diz respeito às motorizações, a Mazda também assume a sua forma muito própria de trabalhar (quem não se lembra do lendário motor rotativo Wankel sobre o qual se especula um possível regresso, mesmo que apenas como extensor de autonomia), tendo vindo a desenvolver a sua gama de motores Skyactiv-G e Skyactiv-D, não adoptando a estratégia da sobrealimentação nos primeiros e conseguindo que os últimos se destaquem dos propulsores Diesel da concorrência pelo seu respirar anormalmente rotativo para um motor a gasóleo. E se um futuro híbrido ou eléctrico está também nos planos do construtor, também o está a manutenção na aposta no desenvolvimento da sua nova família de motores de combustão interna denominada Skyactiv-X. Estes novos propulsores atingirão níveis de eficiência nunca antes conseguidos num motor a gasolina graças à tecnologia Spark Controlled Compression Ignition que permitirá ter o melhor dos dois mundos, variando entre a ignição por compressão dos motores Diesel e a ignição por faísca como nos motores a gasolina, conseguindo-se assim uma combustão mais limpa e económica, bem como um superior desempenho.

Mais do que um novo ensaio a mais um brilhante MX-5, este é um artigo que resume a minha experiência com a Mazda. Do MX-5 “apetrechado” que conduzi recentemente até ao CX-5 AWD, estes são os modelos da Mazda que menos parecem ter a ver um com o outro e que, no entanto, têm mais em comum do que à primeira vista possa parecer. Num extremo, um veículo vocacionado para as sensações, de construção leve e, neste caso em particular, apimentado com alguns acessórios que elevam a experiência a um nível superior, como a barra que une os topos do amortecedores frontais para uma superior rigidez estrutural (ainda mais…), o kit de molas de rebaixamento que reduz o adornar da carroçaria e ainda o escape desportivo que torna o motor 1,5 lt Skyactiv-G mais rouco, mais presente ao longo de todo o conta-rotações. No outro, um crossover, um automóvel construído a pensar nas confortáveis viagens em família mas que, apesar desse objectivo, não deixa de apresentar óptimos argumentos no capítulo dinâmico. O comportamento em curva é digno de registo, assim como o são as respostas da direcção e do motor 2,2 lt Skyactiv-D de 175 cavalos, apresentando, neste caso, uma superior capacidade de tracção com a presença do i-ACTIV AWD, um sistema de tracção integral capaz de antecipar as perdas de motricidade enviando até um máximo de 50% do binário para o eixo traseiro.

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MX-5 Soft-Top ou Retractable Fastback? Ajudamo-lo a decidir.

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Antes que me encostem à parede, deixem-me dizer-vos que este não é um artigo patrocinado. A Mazda não me pagou para escrever estas palavras, nem pretendo com o que escrevi, dizer que a Mazda é melhor ou pior que um qualquer outro construtor. É muito boa a fazer automóveis, sim, mas é, acima de tudo, diferente. E quando a aposta num design que entusiasma e no prazer de condução (que é muitas vezes posto para segundo plano) é levada tão a sério, sem descurar as essenciais segurança, fiabilidade e tecnologia, não podemos não elogiar o excelente momento da Mazda.

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