Mazda MX-5 NC – Mal amado. Porquê?

Eu sei que o título é forte, mas a verdade é que com tantos artigos sobre o MX-5 e sobre a sua evolução até ao actual ND, bem como os irresistíveis comparativos entre as quatro gerações, foi sempre sobre o NC que recaíram as opiniões mais díspares e talvez por isso eu estivesse tão curioso para o conduzir e perceber, afinal de contas, onde encaixa a terceira geração no meio de tanta opinião e infindáveis comentários.

Visualmente, o NC é o mais encorpado de todos os MX-5, mas serão as superiores dimensões sinónimo de menor eficácia dinâmica? Foi o que tentei apurar durante esta semana que passei na companhia da “noiva”, a simpática alcunha dada pela própria Mazda a este exemplar, branco por fora e por dentro. Mais recheado que os seus antecessores, o NC acaba por ser um pequeno GT, um MX-5 mais utilizável para o dia-a-dia, com um habitáculo protegido por um tejadilho rigído e onde não faltam os itens de conforto como os bancos aquecidos e o GPS a complementarem a suspensão de afinação mais branda. O NC adorna um pouco mais do que eu esperava, mais ainda nas curvas exigentes onde tentei conhecê-lo um pouco melhor, mas a verdade é que todo o ensaio foi feito à chuva, pelo que o amortecimento mais “soft“ foi até uma mais-valia, proporcionando um pouco mais de comunicação com o piso e uma melhor tracção, apesar da luzinha ter piscado mais vezes do que eu desejaria. A direcção, embora directa, não se revelou muito informativa, mas em sua defesa, relembro, este MX-5 encontrou muita água estrada fora.

Relativamente à mais recente geração, da qual tive o prazer de conduzir vários exemplares, esta foi também uma excelente oportunidade para melhor me aperceber como evoluiu o roadster japonês para o actual ND, uma referência no que à dinâmica e às sensações diz respeito. E se o NC, apresentado em 2005, está longe de desiludir, a evolução é mais do que óbvia assim que nele se entra. Desde logo pelos materiais e pela sua montagem, mas também pela inferior insonorização do habitáculo – o motor 2.0 de 160 cavalos faz-se ouvir, e bem! – e pela dureza (e pureza!) dos comandos, principalmente da caixa de velocidades e da resposta do acelerador.

A geração NA (que darei a conhecer mais tarde) começou a escrever a história, a NB (que também passará pela Garagem mais tarde) trouxe este nosso herói dos automóveis para o século XXI e a geração ND elevou ainda mais a fasquia e assume-se como uma das referências dinâmicas da actualidade. Isto parece deixar o NC um pouco fora de cena, na terra de ninguém, e tanta vez e injustamente etiquetado do “menos MX-5” de todos os MX-5. Para mim, foi bastante fácil. Apesar de não me poder pronunciar sobre as gerações que o antecederam, e de também concordar que não deverá ser o MX-5 mais envolvente, peço desculpa aos “haters” do NC. Diferente não é necessariamente pior e apesar do seu espírito mais estradista, não é por isso que o NC deixa de ser um verdadeiro MX-5. Foi um verdadeiro prazer conhecer “a noiva”.

P.S.: Obrigado, JL.

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