Mazda 3 1.5 Skyactiv-D – No ponto!

Já aqui foi escrito na Garagem Global o quanto achamos que a Mazda é uma marca que deveria ser bem mais equacionada pelo cliente português na altura de comprar um novo automóvel, principalmente nos dias que correm. Seja pelo impacto visual que qualquer um dos modelos causa a quem os vê passar na rua ou, por exemplo, quando chegamos perto daquele amigo que não está tão por dentro do mundo automóvel como nós e que, ao ver o “carro novo”, tem como primeira reacção um “Eia pá! Que máquina!”, seguida logo pela pergunta “O que é?!” e pela reacção carregada de admiração ao ser um “simples” Mazda.

E esse impacto e surpresa causados pelos modelos actuais da Mazda, continua com a qualidade dos materiais encontrados no interior, com a qualidade da construção, pela impressão que cria em nós ao usarmos os comandos deste Mazda 3 e no toque em todas as superfícies com que temos contacto directo e até indirecto. A ideia pré-concebida que muitos poderão ter de que os carros da marca de Hiroshima são construídos e desenvolvidos de forma a economizar e a cortar custos em todas as áreas englobadas num automóvel de maneira a maximizar receitas, não podia estar mais errada e longe da realidade, na minha opinião.

É um carro que quer preencher o espaço entre os carros mais baratos e com maior quota de mercado do segmento e os carros do segmento acima, os das ditas marcas de luxo. Quem opta por um Mazda, sabe o que quer. Não só quer algo diferente da norma, mas com carácter. E quer qualidade, conforto e a fiabilidade japonesa. O custo extra despendido na altura da compra – em comparação com as opções mais económicas e que acabam assim por ser mais numerosas nas estradas portuguesas, sejam elas de frotas ou de individuais – vai ser depois recuperado durante a sua utilização. Seja na carteira, seja no espírito. Porque este Mazda 3 é qualquer coisa de sublime de conduzir, mesmo esta versão 1.5 SkyActiv-D com uns modestos 105 cavalos. É a perfeita aplicação do conceito “Slow car, fast”, conduzir um carro lento, de forma rápida, com muito mais diversão e prazer.

O marketing da Mazda introduz-nos o conceito japonês Jinba Ittai, o sentimento de união entre o cavalo e o seu cavaleiro, juntos, num só. Não são precisos muitos quilómetros ao volante do Mazda 3 para nos apercebermos disso mesmo, o que é realmente surpreendente uma vez que não estamos a contar com tal, como seria por exemplo o caso numa versão mais desportiva. Este Mazda é dono dum chassis com enorme potencial, bem além das motorizações disponíveis no mercado português. Acredito plenamente que um eventual regresso duma versão MPS, como a de há uns anos atrás, com as capacidades dinâmicas deste chassis, seria uma surpresa tão grande e capaz como a recente pedrada no charco com etiqueta “i30 N” dos coreanos da Hyundai.

É tão fácil esquecermo-nos de que estamos num pequeno familiar sem quaisquer pretensões desportivas e ficarmos com um sorriso bem grande na cara. Conjuga lindamente o conforto a bordo em viagem com um bom comportamento dinâmico em curva, directo, mesmo que com ligeiro adornar e baloiçar pela taragem mais branda das molas, mas também desportivo quanto baste com a traseira a rodar e a acompanhar a frente. Parte deste equilíbrio entre conforto e desportividade vem dos pneus que o equipam de série, Michelin Pilot Sport 4, montados nas simples mas elegantes jantes de 18 polegadas. Jantes essas onde os travões podem parecer um pouco perdidos com tanto espaço livre à volta deles, mas a capacidade de travagem e o toque do pedal de travão são bem adequados e também surpreendem pela positiva.

No interior, pouco há a apontar pela negativa. Todos os comandos merecem ser salientados pela agradabilidade de utilização. A direcção tem um bom peso e comunicação, com os comandos no volante e em redor a serem intuitivos e com uma curva de aprendizagem bem fácil e rápida. O sistema multimédia MZD Connect com acesso à internet, através do nosso smartphone, traz toda a conveniência e utilidade da sincronização do nosso telemóvel com o infotainment do Mazda 3, seja para ouvir música por serviços de streaming ou para recorrer à informação do trânsito em tempo real no sistema de navegação. Os bancos, sendo confortáveis e com destaque para a regulação lombar, dão-nos uma posição de condução bem envolvente e capazes de nos manter longe da saturação e cansaço ao volante.
A caixa, e correndo o risco de me repetir mais uma vez, é também um gosto de usar, como já é habitual nos Mazda, e no geral, também, em carros japoneses. Sempre com um tacto mecânico e certeiro nas passagens de caixa.

Depois há o som do motor. E sim, com plena noção de que é um Diesel, vou-vos falardo som deste pequeno, mas entusiasmante, quatro cilindros SkyActiv-D com 1500 cc de cilindrada. Entre as 1500 e as 2500 rpm, ou seja, no regime onde muito certamente a grande maioria vai ser usado, tem uma nota de motor mais típica de um motor a gasóleo moderno, juntamente com alguns silvos e assobios de turbo. Tudo completamente normal até aqui. Mas, principalmente depois das 3000 rpm, a música já é outra. Arriscaria até a dizer, mais entusiasmante, por ter um tom mais semelhante a um motor a gasolina e relativa facilidade em fazer rotação até às 5000 rpm, fazendo-nos esquecer facilmente do motor que temos à nossa frente numa condução mais “dinâmica” de curva e contra-curva. O que tem de bom, acaba por prejudicar outras coisas, como os consumos e, possivelmente, a longevidade do motor.

É de facto um conjunto bem intrigante e surpreendente. Se na teoria poderíamos achar que é muito carro para pouco motor, na prática o Mazda 3 1.5 SkyActiv-D até podia ser usado como exemplo e definição prática da palavra “equilíbrio”. Constantemente a balançar o equilíbrio entre conforto e dinamismo desportivo. Entre condução relaxada e entusiasmada. Entre qualidade, conforto tecnológico e fiabilidade, a um preço acessível para o que vamos ter em mãos. É um carro comum que nos faz querer conduzir, que nos faz querer passar mais tempo com ele e dentro dele. E relativamente a consumos, depois de muitos quilómetros serra acima e serra abaixo e com andamento bem despreocupado, chega a ser incrível pensar que o consumo médio não chegou sequer a 7 litros/100 km, com uma média final de ensaio de 6,6 lt/100 km. Agora em condução mais cuidada e pensada para a poupança, o consumo médio desceu para 4,4 lt/100 km. Como disse antes, equilíbrio.

Pontos positivos

  • Comportamento dinâmico
  • Conforto e espaço a bordo
  • Travões

Pontos negativos

  • Qualidade de alguns materiais
  • Ajuste em profundidade da coluna de direcção

Preço

  • Mazda 3 Excellence desde 27.497 €

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Texto: Tiago Costa

Fotografia: Tiago Costa

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