Renault Twingo Le Coq Sportif – Perfeito para a cidade, mas não só

Há mais de 25 anos que o Twingo se destaca pelas suas aptidões citadinas. Pequeno mas confortável, chique mas acessível, o Twingo vai já na sua terceira geração e continua a apostar no design como principal elemento diferenciador. Nesse aspecto, nesta mais recente geração, não consigo olhar para a traseira e não ver por ali qualquer coisa de Renault 5 Turbo II. Só por isso, este Twingo é logo um vencedor.

Foi, recentemente, alvo de uma atualização que lhe trouxe, por exemplo, redesenhados pára-choques, novas cores e as luzes diurnas com formato idêntico às dos restantes modelos da Renault. Viu, também, a sua gama crescer com a introdução desta série especial limitada, a Le Coq Sportif. Jantes exclusivas de 16 polegadas e vários elementos estéticos como os símbolos e autocolantes complementam o look moderno e fazem o Twingo destacar-se ainda mais, dando cor a um parque automóvel demasiado cinzento.

O motor, tal como o Twingo, é pequeno. E não precisa de ser maior para, também como ele, ser grande em qualidades. Mostra se enérgico, muito disponível e com 95 cavalos a puxarem um tão levezinho Renault, foram vários os condutores incrédulos ao ver o Le Coq Sportif sair disparado ao cair do verde. E o motor, ou melhor, o sítio onde está, permite também ao Twingo transformar uma por vezes chata inversão de marcha numa simples brincadeira de crianças. Mas daquelas que deixaram saudades, porque continuei a fazer inversões de marcha só pelo gozo que me estavam a dar. Com um raio de viragem ridiculamente pequeno, o Twingo completa uma inversão de marcha mais depressa do que um gato youtuber dentro de uma caixa de sapatos.

E fora da cidade, perguntam vocês…Pois bem, fora da cidade o Twingo não compromete. E muito por culpa do motor e do equipamento. Andamentos de auto-estrada são fáceis de atingir e de manter e o ar condicionado garante que a sauna é só no hotel, no final da viagem. O espaço no banco de trás é limitado, ideal para trajetos curtos, mas para umas férias a dois, e com mais 220 litros de bagageira, o Twingo é um óptimo companheiro de viagem.

Vamos, então, a mais uma pergunta. Por que razão se vêem poucos Twingo? É fácil. Não precisamos dele. Precisamos, isso sim, de um grande SUV de 7 lugares, onde cabem 4 pessoas – 2 adultos, um bebé e Bilbo Baggins – mas onde diariamente só anda uma. E pontualmente, vá, também o hobbit. Precisamos de, pelo menos, 1750 kg de carro e de umas jantes com, no mínimo, 25 polegadas. Ganha-se em estatuto e em conforto. A altura ao solo de vinte ou mais centímetros é também essencial para vencer a camada de tinta dos lugares de estacionamento do shopping. Ah, e em vez de 95 precisamos de 350 cavalos, “híbridos” de preferência. É que assim, pelo menos no papel, reduzem-se uns gramas nas emissões nocivas para o ambiente e sempre se consegue gastar em média uns 12 lt/100 km. Algo que só a aerodinâmica eficiente de um grande SUV permite.

O Twingo é um carro excelente. É extremamente ágil e divertido de conduzir. O motor é potente e pouco ou nenhum equipamento lhe falta. Para além disso, é um carro que nos põe um sorriso na cara. É giro que se farta! É perfeito para quase todas as situações em que usamos o carro. No entanto, grande parte das pessoas prefere transportar diariamente uma grande quantidade de ar no habitáculo, assim como prefere, por exemplo, gastar num pneu o mesmo dinheiro que poderia gastar num jogo de quatro para o pequeno Renault quando esse inevitável dia chegar. Se não se identifica com este perfil, então o girissímo Twingo é ideal para si. É muito bom. Bem equipado, económico e cheio de genica. Mas para andar por aí a cantar de galo, o Le Coq Sportif não está lá ainda.

P.S.: Por favor, não matem os carros pequenos. É que parece mesmo que não precisamos do Twingo, mas precisamos. E muito.

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